Amor: emoção ou volição?

Paulo, escrevendo aos Rom.13.10 declara: "o amor não faz mal ao próximo, de sorte que o cumprimento da lei é o amor. Desta forma, vemos que, amando, cumprimos a lei. Jesus, em Mat.5.43-47, apresenta uma nova perspectiva do amor, ampliando sua aplicação, visto que o amor ordenado na Escritura é uma benevolência volitiva, que resulta em ações direcionadas ao outro (vide parábola do bom samaritano). Assim, podemos concluir que o amor, biblicamente orientado, fundamenta-se mais na vontade de uma decisão do que na teoria romântica, embora não perca, por outro lado, seu aspecto emocional. Contudo, Paulo, em l Cor. 13 aponta que é possível exibir ações amorosas sem ter realmente amor.

O amor é um ato consciente e não uma simples reação emocional e nossos relacionamentos devem ser baseados em uma decisão e não em uma reação. Devemos amar as pessoas sem nos importarmos com o que elas, eventualmente, podem nos oferecer em troca, visto que o amor deve ser incondicional.

Contudo, não podemos perder de vista que o amor pode existir em várias formas, tanto como afeto ou como uma emoção. Quando o amor é um afeto, é voluntário e consiste num ato da vontade. Quando é uma emoção, é involuntário. Não depende diretamente da vontade. Alguns o define como paixão, uma força instintiva que age sobre o ser humano, que tem curta duração. A virtude do amor é maior quando se manifesta em forma de afeto. A felicidade do amor é maior quando se manifesta em forma de emoção. Se o afeto do amor é forte produz um grau elevado de felicidade, mas a emoção do amor é a mesma felicidade.

Diante do exposto, fica o desafio bíblico, descrito por Paulo em Rom.13.8: "A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, exceto o amor com que vos ameis uns aos outros; pois quem ama o próximo tem cumprido a lei". Essa é uma divida "impagável" mas que exige de nós o esforço e desejo de amortizá-la através de gestos e atitudes dignas de alguém que tem o seu coração , constrangido pelo amor de Cristo. Desta forma, a vontade deve entrar em cena conduzindo nossas ações de forma afetiva e efetiva em direção ao outro.            .

Que Deus encontre em cada um de nós essa disposição e quebrantamento para que Ele possa moldar nosso caráter e que, em nossas vidas, seja encontrado o descrito em Fil.2.5-11. Que o sentimento de Cristo amplie cada vez mais a nossa visão do outro e que nossos relacionamentos sejam marcados pelo amor, tanto no sentido afetivo e emocional, como fruto de uma decisão consciente em obedecer aos ensinos do Mestre.

 

Pr. Wagno Alves Bragança