Panorama dos Evangelhos
Marcos XII

 

Marcos narra no capítulo 13: 1 - 37 os ensinamentos acerca do futuro. Jesus pregou a ruína do Templo e a sua própria vinda futura. Os títulos da abrangência deste comentário podem ser assim postos na lista a seguir:

 

Questões acerca da destruição do templo ( 13: 1-4); predições sobre perturbações futuras (13:5-13), envolvendo o princípio das dores, (13:5-8) e testemunho em meio a perseguições (13:9-13). Além disso, Jesus falou sobre a abominação da desolação (13: 14-23), envolvendo avisos para fugir, (13:14-16), e tribulações e aflições, (13:17-20), o aparecimento de falsos Cristos (13: 21-23). Então Marcos se detém na exposição de Jesus sobre a vinda do Filho do Homem (13:24-27). Depois de questões sobre o tempo (13:28-32) vem a ilustração desses acontecimentos com a Parábola da figueira (13:28-29) e a certeza do seu cumprimento, ainda que inesperadamente (13:30-31), e a declaração de que a data da sua vinda é desconhecida (13:32). Segue a chamada para o testemunho (13:33-37) e isto leva ao dever de vigiar cuidadosamente em todo o tempo.

 

Os discípulos chamaram a atenção de Jesus para as enormes pedras e o esplendor do Templo. Então Jesus declarou que (apesar da enormidade das pedras e da esplendorosa construção) não ficaria ali pedra sobre pedra que não seria derrubada.uma sobre outra, o que indicava a força e a brutalidade dos destruidores. Admirados com a espantosa revelação do Senhor, os discípulos perguntaram: "Quando acontecerão essas coisas e que sinal haveria, quando todas elas estiverem para se cumprir" ? (13: 1-4).

 

O Senhor respondeu, ainda intricadamente, de um modo que sua palavra pode ser dividida em três seções. A primeira (vs. 5 - 13) é geral, e provavelmente descreve condições antecedentes para os eventos dos anos 70 aD. tão bem como o fim da presente era. A segunda seção (vs. 14-23)refere-se primeiramente ao cerco de Jerusalém e à destruição do Templo. Esses versos podem também prognosticar a vinda de eventos mais perto do tempo da volta de Cristo à terra. Então a terceira seção (vs. 24- 27) aponta os eventos ainda futuros, para serem cumpridos na vinda de Cristo.

 

Nos versos 28-31 o Mestre conta a parábola da figueira apontando provavelmente para eventos que seriam sinais indubitáveis da queda e destruição de Jerusalém nos anos 70 aD. Por contraste, os versos 32-37 compõem a ideia da incerteza do tempo da volta de Cristo à terra. É bom atentar para o fato de que a incerteza é do tempo e não da própria volta do Senhor; daí a propriedade do aviso para a vigilância. A ênfase é para que todos estejam constantemente preparados, porque certamente ele virá uma segunda vez à terra. Este tema, mais tarde, abordado pelo apóstolo Paulo expressa esse desejo ao declarar: "Se alguém não ama o Senhor, seja maldito! Vem, Senhor (maranata)" (l Cor. 16: 22).

Em resumo:

 

1. Devemos estar sempre cuidadosos para não sermos distraídos pelo ensino de falsos sinais da volta de Cristo. Muitas formas de perturbar as características da história humana e não provar que o fim está próximo.

 

2. Os cuidados são para evitar que esperemos a volta do Senhor em um tempo equivocado. O texto nos dá a entender que ele planejou de tal maneira que não fosse capaz de presumir os fatos concernentes ao tempo da sua vinda.

 

3. O fato é que a volta de Cristo seria um incentivo ao viver cristão fielmente. Dia após dia a fidelidade cristã no seu viver, no testemunho da sua fé, é a melhor preparação para a volta de Cristo.

 

Pr. José Alves da Silva Bittencourt