A Mordomia da Oportunidade

A vida ensina que a Mordomia da Oportunidade é a mais sensível de todas as mordomias. Ela jamais perdoa a infidelidade, e age à semelhança do medo nas insondáveis profundezas da espiritualidade humana, trazendo também ela consigo mesma a pena. Aquele que teme não é perfeito em amor (l João 4:18).

Do mesmo modo, na mordomia infiel da oportunidade há uma pena auto-aplicável, pois três são as coisas que jamais retornam; a flecha lançada, a palavra proferida e a oportunidade perdida.

Na conhecida cantata Carmina Burana a efemeridade da sorte é lamentada no verso: "Fortune plango vulnera". A "oportunidade" ali é retratada como um jovem "subtrait rebelliis" que tem a "fronte capillata", (basta cabeleira) quando visto de frente, porém "ocas/o calvata" (careca) quando visto pelas costas.

A Bíblia, para nossa advertência, está repleta de passagens sobre pessoas que deixaram passar maravilhosas oportunidades porque não a entenderam. Em Lucas 16:20-26, lemos sobre o rico que não aproveitou a oportunidade de perceber o mendigo que jazia a sua porta, desejando alimentar-se das migalhas que caiam de sua mesa. Lemos também em Mateus 19:21,22, sobre o mancebo de qualidade que entristeceu-se depois que Jesus o aconselhou a cambiar sua fortuna terrena por um tesouro no céu mas.desavisado, não achou vantajosa a troca. Lemos ainda, em Marcos 12:34, sobre aqueloutro que quase acertou o caminho, mas desistiu, ainda mesmo em face do carinhoso incentivo dado pelo Senhor, dizendo que ele já estava QUASE lá .

Jesus chegando a Jerusalém, e vendo a cidade, chorou sobre ela. Chorou lamentando que a cidade não conhecesse a paz que lhe pertencia, chorou por saber que castigo sobreviria a ela por não perceber o "tempo de sua visitação" (Lucas 19:41-44). Podemos entender esse "tempo da oportunidade. Ele veio para o que era seu. Reis e Profetas desejaram ver e ouvir o que a multidão via e ouvia sem se importar (Lucas 10:24). Abraão mesmo, "viu" pela fé esse glorioso dia, mas não perdeu a oportunidade, pois logo o reconheceu e se alegrou (João 8:56).

A Palavra de Deus enfatiza um tempo que se chama "hoje". È o dia da oportunidade. "Hoje, se ouvirdes a sua voz" (Hebreus 3:15), Somos advertidos a não endurecer os corações nesse dia, para não perder a oportunidade da chamada. Não devemos pertencer à classe de cristãos que não tem consciência de suas responsabilidades no estabelecimento do reino. Não podemos ser como as virgens, loucas sem azeite nas respectivas candeias, despreparadas para o momento da chegada do noivo.

Não há crente que não tenha uma chamada específica, e Deus tem uma expectativa para cada um de nós. Não podemos ter os olhos nublados pela sedução deste século, e não conseguir vislumbrar o bom propósito de Deus para nossas vidas, pois Deus trará a juízo todas essas coisas. O salmista ensina: "Desvenda, ó Deus, os meus olhos, para que eu veja a maravilha da tua lei", e a. maravilha da lei do Senhor não é outra coisa senão o enunciado claro dessa expectativa e de todas as oportunidades que nos são propostas como súditos fiéis desse glorioso reino.

Sejamos fiéis a ela.

José Ferreira de Carvalho