Igreja Batista Memorial de BH |
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| uma igreja biblicamente cristã | |
cultos dominicais 10h e 19h30min - escola bíblica dominical 9h - oração e estudo bíblico, quartas 19h30min
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Religião, política e gosto |
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Esta pequena reflexão é a exposição de algo que tem martelado em minha cabeça há alguns meses. Há bordões que todos nós conhecemos no dia a dia que talvez exprimam alguns dos motivos mais sérios para o estado doente de nossa sociedade, quem sabe até civilização. Isso se levando em conta as crises globais que enfrentamos e sua relação com o mau uso dos recursos naturais e mão de obra humana. Sem ser cientista no assunto, mas buscando meu aperfeiçoamento como crente, achei salutar dividir esses pensamentos. Foi num momento de indignação pela desconsideração para com a arte, minha área de atuação profissional, que tive um insight, um clique na mente sobre assuntos inconvenientes que, educadamente, somos instruídos a deixar em segundo plano na vida diária. O primeiro bordão diz religião não se discute, o segundo diz política não se discute e o terceiro diz gosto não se discute. É sobre essas tristes regras do bem viver que quero me deter à luz da Palavra de Deus. Religião não se discute - Vivendo à luz dos ensinamentos de Jesus somos instados a falar, a difundir a mensagem do evangelho. Para ilustrar esse mandamento que encontramos também abundantemente nos evangelhos e cartas de Paulo temos no Livro dos Atos 18.9,10: E disse o Senhor, em visão, a Paulo: Não temas, mas fala e não te cales; porque eu sou contigo, e ninguém lançará mão de ti para te fazer mal, pois tenho muito povo nesta cidade. Também podemos citar a inteligência do mesmo apóstolo ao anunciar este evangelho, sem baratear sua mensagem e sem nivelar seus conteúdos a uma crença como qualquer outra. Lemos ainda no Livro dos Atos quando da chegada do apóstolo ao Areópago de Atenas e em 17.22-28, ele pregou a mensagem do Deus Desconhecido. Esse Deus ainda é desconhecido, inclusive por muitos que tem uma religião, mesmo que seja ‘evangélica’. Mateus 7.21 diz: Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Também há o medo de que se falando de religião ofensas sejam feitas, que se debata o tema religioso com base em interesses próprios ou por prestigio de alguma espécie. Nesse caso o debate vira uma disputa vaidosa e vazia, como as fanfarras de torcedores de futebol. Também encontramos na Bíblia instruções sobre como devemos contrastar a obediência à vontade de Deus e a desobediência. A vida cristã impõe um padrão moral diferenciado, o padrão dos frutos do Espírito (Gálatas 5.22), o padrão das bem aventuranças (Mateus 5.3-16). Isso acontece porque Contra essas coisas não há lei (Gálatas 5.23). Política não se discute - Ao combater este bordão não quero de maneira nenhuma dar a entender que a igreja seja local para propaganda política de ‘irmãos’ que seguem ou querem seguir carreira na política. Neste caso, talvez seja culpa da forma como fui criado, mas me sinto totalmente autorizado pelo próprio Jesus Cristo a por para fora qualquer um que se atreva a distribuir panfletos na igreja, isso porque disse o próprio e com o chicote na mão citando o profeta Isaías, Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração. Mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. (Mateus 21:12,13). Nesse caso a santidade do Templo em Jerusalém pode ser transposta sem erro para a santidade da igreja, esposa do Senhor, que seja apresentada santa assim como deve ser o crente (II Timóteo 2.15). Mas saindo da propaganda e do tráfico de influência, parece que pela leitura da Bíblia, Deus não quer que o seu servo seja ignorante, alienado, das questões públicas. A indignação contra a injustiça é uma constante desde o Velho Testamento. A ira de Deus se dá sobre a trapaça e a mentira assim como sobre a exploração dos pobres pelos ricos, isso é bastante evidente na expressividade dos profetas e apóstolos. Amós foi o profeta que mais explicitamente condenou a vida luxuosa e alienada dos ricos em contraste com a miséria dos trabalhadores. Sua clássica expressão em Amós 4.1, Vacas de Basã, é um dedo apontado na direção da corrupção administrativa. Corrupção que enfraqueceu a economia de Israel e a tornou vulnerável a invasão e à escravização. Na época da reconstrução, Neemias como governante, teve de dar atenção aos necessitados inclusive pedindo desculpas e perdoando dívidas (Neemias 5). Na Bíblia há a exaltação da ajuda aos pobres graciosamente, sem que os doadores sejam justificados por seus atos ou recebam algum tipo de abono de impostos, aliás, não existe tal coisa como homem justo segundo as próprias obras pelo que dizem as escrituras. Os profetas, correndo até risco de morte, eram aqueles que apontavam publicamente os erros de seus governantes. Atentos e perspicazes, eles usavam sua arte com as palavras para que seus versos fossem cantados por todo o reino trazendo à consciência do povo a justiça de Deus e sua desaprovação. Falando de política e relações humanas, Jesus Cristo advertiu seus seguidores pelo mundo: Eis que vos envio como ovelhas ao meio de lobos; portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas. (Mateus 10.16) Essa prudência na pregação do evangelho também pode ser aplicada à atenção ao se denunciar a injustiça, cuidados que o crente deve aprender com os profetas, mas a conivência ou a permissividade é condenada. II Coríntios 6.14: Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? Gosto não se discute - Não estou aqui hierarquizando culturas, tradições ou valores pessoais, me aterei a questões regionais ou ainda domésticas se alguém preferir. Não podemos por uma régua e medir a importância ou evolução de uma cultura em relação a outra, além disso, pensando biblicamente, as gerações fazem escolhas e recebem heranças diferentes, mas no fim todos somos iguais desde sempre. Romanos 3.23, diz: Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, com efeito, este é um bom parâmetro para igualar as pessoas. Mas sobre a idéia da superioridade de uma tradição ou raça temos ainda em Mateus 3.9 e não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que mesmo destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão. Esses são alguns textos que apresentam o tema das relações entre diferentes pessoas e culturas, contudo, há outro aspecto a ser pensado, delicado, porque talvez envolva o mais difundido dos três bordões que me propus a contestar nesta reflexão, este que lida diretamente com a vaidade das pessoas. Não há como falar de vaidade sem nos lembrarmos do primeiro arrufo de vaidade narrado na Bíblia, Caim e seu sacrifício de vegetais (Genesis 4.1-7). No versículo 7 a advertência de Deus é no mínimo carinhosa, mas inútil, tamanha a vaidade e a inveja de Caim: Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás. O mau gosto, diferente do bom senso é algo que evitamos admitir. O bom senso, disse um filósofo, é a coisa mais bem distribuída do mundo, uma vez que todos afirmam possuir. Mas o mau gosto é mais delicado, e se a falta de zelo quanto à promoção do evangelho criou monstros religiosos pelo mundo a fora além escândalos em nome do Deus, se a falta de vigilância quanto às questões públicas também criou absurdos administrativos e sociais, a desatenção quanto a formação de um gosto elevado, um gosto pelas coisas realmente boas, nos trouxe à beira de um precipício moral e um esvaziamento intelectual sem precedentes. Sermos condenados como Caim a nos tornarmos servos de nossos próprios desejos é um fim desastroso, como a água tendemos sempre para o fácil, para baixo. Saber de quem falamos quando pregamos o evangelho nos constrange ou deveria nos constranger a nos vestir melhor, falar melhor e até pensar melhor. Saber o mundo de quem administramos quando somos eleitos governantes tanto mais nos deveria fazer tremer. E falando de gosto... A palavra cultura não poderia ter sido melhor escolhida para falarmos do conjunto de coisas que nos caracterizam como sociedade. O agricultor não colhe sem que tenha plantado, assim, nós não podemos esperar como cristãos que nosso sacrifício vivo a Deus, o culto, seja baseado na espontânea manifestação de nossos desejos. Caim ofereceu seu melhor, mas o texto nos deixa em situação difícil quando percebemos que pode haver diferenças de opinião sobre o que consideramos adequado e o que Deus considera adequado como culto. Paulo apresenta em Romanos 12.1,2 uma síntese do caráter do culto e uma receita para o aprimoramento do gosto. Paulo fala no versículo 1 de um culto racional, não é a razão matemática ou cartesiana, Paulo fala que o culto em si trata-se de uma coisa mental, algo que nos leva a mudar nossa forma de pensar, algo que nos edifica. Paulo ainda diz no versículo 2 que só assim é possível experimentar a perfeita vontade de Deus. A receita para evitar-se a alienação do gosto é perguntar-se a si mesmo: o que eu aprendi com isso? Essa experiência trouxe prazer para o meu corpo, mas será que edificou minha alma? O mesmo pode-se aplicar como princípio ao vestuário, aos livros que escolhemos ler, às festas que frequentamos, aos programas de TV que assistimos, às amizades que nos influenciam, mas principalmente aos cultos que prestamos a Deus. Porque como está em Hebreus 6.9a: Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação... |
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William R. Quintal - professor da EBD da Igreja Batista Memorial de BH |
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Revista Louvor - ano XXXIV vol. 3 n. 128. CBB |
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3o tri/2011 P. 10 |
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