O casal Bittencourt e a Igreja Memorial
Nos últimos anos o Pr. Bittencourt, como é conhecido por todos, e sua esposa, D. Maria, se empenharam em dar à Igreja Batista Memorial o melhor de sua experiência de vida cristã. Ao compartilhar conosco seu envolvimento e respeito para com as questões espirituais, bem como o senso de dever nas práticas democráticas dos batistas, este casal nos têm inspirado e motivado na consolidação de um projeto de vida para esta igreja.
Desde que se tornou pastor interino da Igreja Memorial, em 1991, o Pr. Bittencourt buscou motivar a comunidade na busca por aquele que entendíamos ser o seu perfil original, ou seja, a verdadeira vocação deste grupo organizado em torno do nome Memorial. Nestes tempos certamente conturbados e de muitas perdas no campo da dignidade dos crentes, o bom-humor otimista e a autoridade no estudo da Bíblia do Pr. Bittencourt, assim como carinho e firmeza de D. Maria, cativaram o amor e respeito dos membros da igreja de todas as idades.
Pr. José Bittencourt assumiu o pastorado titular da igreja em 1996, e, com o constante apoio de D. Maria Bittencourt, este casal tem sido instrumento de Deus em prol da responsabilidade e inteligência no trato com as questões da fé. Eles têm sido modelo para nossa comunidade, tanto na liberalidade quanto serenidade no trato nas questões mais sensíveis do ministério da Palavra.
William R. Quintal
Pr. José Alves da Silva Bittencourt - Biografia
Nasceu no dia 20 de abril de 1924, em Santo Antônio do Manhuaçu (registrado em Ipanema), Minas Gerais. A família era católica e ele freqüentava o grupo de catecismo, quando conheceram o evangelho através de alguns irmãos presbiterianos que freqüentavam a igreja batista. Depois de algum tempo freqüentando a Escola Bíblica Dominical, retornou ao Catecismo e filiou-se à banda de músicos dos Vicentinos. Gostava de futebol e começou a freqüentar bailes junto com os colegas. No estudo dos mandamentos percebeu que no catecismo católico faltava um mandamento em relação à bíblia. Perguntou ao padre e ao padrinho. Não houve resposta satisfatória. O problema das imagens na Igreja Católica o inquietava. Voltou a conferir a sua bíblia e convenceu-se de que deveria retornar aos estudos na Escola Bíblica Dominical, na Igreja Batista de Ipanema. Leu o Novo Testamento e se impressionou com o Apocalipse de João. Aceitou finalmente a Cristo, e foi batizado no rio Ipanema, no dia 25 de fevereiro de 1940, pelo pastor Josino Pires Gonçalves. Demonstrando grande capacidade na igreja, foi logo estudar no Colégio Americano, em Vitória e depois no Colégio Batista Mineiro em Belo Horizonte. Chamado ao exército, foi para o Rio de Janeiro e passou a estudar no Colégio Batista do Rio. Sua Vocação era clara e logo que terminou os estudos no colégio, entrou para o Seminário Teológico do Sul do Brasil no Rio de Janeiro. Foi ordenado em fevereiro de 1950, e veio a pastorear a I Igreja Batista de Divinópolis, MG. Nesse pastoreado aperfeiçoou seus conhecimentos na experiência ministerial e principalmente no convívio com o veterano pastor Cockell. Aprendeu com ele a língua inglesa de forma prática, o suficiente para comunicar-se e tornar-se professor da matéria com registro no concurso do CADS.* Já estudara muito latim e passou a interessar-se também pela língua grega. Passou a ler o Novo Testamento no original. Preparou-se na exegese de textos fundamentais ao entendimento da doutrina do Divino Espírito Santo. Leu todo o seu Novo Testamento Grego várias vezes. Em setembro de 1960 tornou-se Secretário Executivo auxiliar da Junta Executiva da Convenção Batista Mineira, Demonstrou grande maturidade, trabalhando ao lado de Stover, Lunsford, Ruy Franco e Jack Young, sem qualquer dificuldade. Homem metódico, muito esforçado, disciplinado, de raciocínio rápido e organizado, fez muito pelo planejamento e organização do campo. Trabalhava de forma discreta, sem nunca insinuar a pretensão de se tornar titular. Em 1967, Jack Young saiu de férias e quando voltou não quis assumir a Secretaria Executiva, Bittenourt se tornou assim o titular. De 1960 a 1970 preparou o plano de ação para a década seguinte. Esse plano, o PLANIME, Plano Integrado de Missões e Evangelização, tornou-se um dos mais importantes fatores de crescimento das igrejas em todo o Estado. O número de igrejas passou a quase dobrar a cada década e o projeto de suficiência financeira foi sendo alcançado até chegar a zero a dependência de verbas externas no orçamento. Dentro desse plano foram se fortalecendo igrejas, instituições e surgindo outras, como o Seminário Teológico Batista Mineiro. Sua necessidade era sentida havia muito. mas o PLANIME realçou a urgência de se criar essa instituição, para atender as igrejas, com obreiros formados dentro de um ambiente adequado à harmonia e fidelidade doutrinárias. Bittenourt tem sido líder hábil na solução de problemas no campo, amigo leal dos pastores e igrejas, competente na especialidade a que se dedicou como administrador e professor do Seminário, contando sempre com o auxílio de sua dedicada esposa, D. Maria Dutra Gonçalves Bittencourt. Foi o Grande batalhador em defesa da Convenção Batista Mineira, nos momentos difíceis da luta contra a cisão carismática. Sacrificou-se pela causa e reconstituiu, com risco e desgaste próprio, a confiança e unidade da Convenção. Foi o mais combativo dos defensores da doutrina contra as tendências carismáticas. Foi o introdutor do sistema, do plano, a divisão do do trabalho, a visão empresarial, na administração dos negócios da Convenção. * Curso de habilitação didática do MEC para professores não formados em Universidade. Alves de Assis, Ader. Pioneirismo e Neopioneirismo - Cem anos de ação missionária batista em minas, p. 206. Convenção Batista Mineira. Belo Horizonte: 1989, Primeira Edição. |
